Meyerhold e a biomecânica

Como mencionamos no texto sobre Stanislavski (que você pode ler clicando aqui), Meyerhold foi seu principal aluno e ator do TAM durante um tempo, mas acabou deixando-o por diferenças
ideológicas. Hoje vamos falar um pouco sobre sua vida e sobre seu trabalho na arte, então vem com a gente!

Sendo contemporâneo do tio Stanis, viveu na Rússia na época da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa, mas Meyerhold buscava em seu trabalho se engajar e discutir política, defendendo governos voltados para o povo e apoiando a luta de classes, o que causou seu rompimento com o TAM.
Em 1904, funda a confraria do Novo Drama, que junto com seus companheiros, buscaram desenvolver técnicas e métodos de atuação diferente do que vinham fazendo até então. Acreditava que o encenador e o ator não simplesmente executavam dramaturgias de forma automática, mas sim que ambos são parte essencial da criação junto com o público, que estava consciente o tempo todo de estar assistindo uma encenação e não uma ilusão da vida real, destruindo a quarta parede (o que inspirou ninguém mais ninguém menos que o próprio Brecht na Alemanha).

Defendia uma teatralidade simbolista, oposta ao realismo psicológico e ao teatro naturalista.
Seus primeiros conceitos desenvolvidos incluíam: um teatro “imóvel”, onde buscava-se um mínimo de ação externa, e um máximo de tensão (ação interna); atuação inversa, onde a busca começa do externo para o interno (“de fora para dentro”); e o corpo atuante mais forte do que a palavra (texto).
Meyerhold defendia uma pesquisa multidisciplinar, que envolvia o esporte, política, música e dança. O cenário não buscava uma representação fiel do real, mas era visto como meio simbólico e plástico, que representava mais do que apenas sua função prática. Por exemplo, uma cadeira não era apenas uma cadeira, mas poderia ser a representação de um nível hierárquico (a cadeira do chefe x a cadeira do trabalhador) ou de uma classe social (cadeira de pobre x de rico). Junto com o cenário, o ator também era símbolo físico e elemento ritmíco, representando mais do que apenas um personagem isolado, e marcado pelas escolhas musicais, que não eram apenas estéticas.

Após 1922, desenvolveu o construtivismo em suas peças, em especial “O Corno Magnífico”, onde usou um conjunto de engrenagens para marcar ritmo da peça. Fez um paralelo da peça
com uma linha de montagem, onde tudo era dinâmico e funcional, inclusive os figurinos, que era os prozodejda (uma espécie de macacão de fábrica), e o cenário simulava o ambiente
de trabalho das indústrias.

Biomecânica

Foi então que pôs em prática seus estudos sobre a biomecânica, que é uma preparação para o ator semelhante à de um atleta, classificada como “pré-atuação”. Busca uma racionalização corporal, onde cada gesto deve obedecer um desenho exato, pois “se a forma é justa, as entonações e emoções também serão” (Meyerhold).
O objetivo é buscar um caráter racional dos movimentos, que têm uma estilização expressiva, ou seja, o ator constrói a máscara (representação) do seu personagem pela autoconsciência corporal, “auto espelho”, deixando seus movimentos mais limpos, diretos e potentes.

E você, já trabalhou alguma vez com a biomecânica? Acha um método funcional para sua pesquisa? Conta pra gente!

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