Um olhar sobre: a improvisação segundo Viola Spolin

E a semana começa novamente e nós aqui do TeE continuamos trazendo pra vocês conteúdo de qualidade relacionado ao mundo do teatro. Hoje, falaremos de uma das pessoas mais importantes para o estudo do teatro ocidental, Viola Spolin. Vem com a gente!

Pra quem não sabe quem é Viola Spolin, foi a mulher que desenvolveu jogos teatrais inspirada, entre outros, por Neva Boyd, importante educadora de Chicago que desenvolveu seu trabalho a partir dos jogos recreativos praticados com levas de imigrantes que chegaram durante a grande depressão nos EUA. Neva utilizava-os para acolher os imigrantes na cultura norte-americana e ensinar o idioma de maneira alternativa. Incrível né ?

Trazendo essa ideia do aprendizado através do jogo, em cima da ideia de “brincar”, de certa forma Viola sistematiza sua prática teatral a partir de princípios teatrais defendidos e estudados por Brecht e Stanislavski. Ao ler os escritos de Stanislavski e os livros da Spolin, você percebe que os exercícios que tio Stanis fazia com seus alunos estão explicados de forma bem didática em regras de jogo nos escritos da Viola.

Spolin é autora de um enorme número de textos para improvisação. Seu primeiro livro foi Improvisation for the Theatre (Improvisação para o teatro), publicado pela editora Perspectiva aqui no Brasil, e tornou-se o livro de referência do movimento do teatro improvisacional tanto aqui no Brasil quanto no mundo. Todos os seus livros estão publicados no Brasil pela mesma editora.

E porque é essencial estudar Viola Spolin? Porque ela já começa afirmando no livro o seguinte: “TODO MUNDO pode aprender através da experiência a ter valor cênico no placo, independente de ter talento ou não”. Ou seja, todos os seres humanos podem atuar. Polêmico né? Você concorda com essa afirmação? Escreve pra gente aqui nos comentários.

Ela vai defender essa ideia a partir da perspectiva de que a capacidade de experienciar em todos os níveis (intelectual, físico e intuitivo) no palco pode ser desenvolvida a partir de um ponto comum (o jogo) para despertar grandes potencialidades em todas as pessoas.

No livro, Viola dá um foco muito grande às experências intuitivas, que são as mais negligenciadas nos estudos teatrais. O intuitivo é o que trabalha com as respostas no imediato, com o espontâneo, que é definido como o momento de LIBERDADE PESSOAL e de descoberta da expressão criativa.

Pra atingir e trabalhar essa espontaneidade, Viola vai defender 7 aspectos do trabalho do ator que precisam ser desenvolvidos em toda a sua vida:

1- JOGOS:

É o que proporciona envolvimento e liberdade através do ato de jogar. Os jogos sempre têm interação baseada em regras e objetivos e todas as partes do indivíduo funcionam juntas como uma unidade de trabalho. É o momento em que você não pensa exclusivamente no seu trabalho vocal ou corporal para a criação de um personagem, mas sim quando você se entrega para vivenciar o momento de estar jogando com outras pessoas.

2- A IDEIA DE APROVAÇÃO e DESAPROVAÇÃO:

Nós atores somos vaidosos, queremos atenção, prêmios, aplausos… Mas para o jogo teatral, isso pode ser um tiro no pé. Antes de começar a jogar, precisamos estar LIVRES. O medo da desaprovação limita nossa liberdade expressiva e criativa. Na tentativa de agradar, perdemos nossa própria identidade para se encaixar no que o outro acha ideal, no que o outro acha certo. Liberdade de julgamento de certo e errado nos leva a adquirir autoconsciência e uma auto-expressão muito mais efetiva.

3- EXPRESSÃO DE GRUPO:

“O teatro improvisacional requer relacionamento de grupo muito intenso”. Então é essencial que o trabalho em grupo não seja pautado em uma ideia de competição, o que elimina harmonia e separa os atores. Mas sim, deve-se ter um ideal de igualdade entre todos no grupo, possibilitando maior integração e descobrimento dentro do jogo.

4 – PLATÉIA 

NÃO ESQUEÇAM A PLATÉIA. Sem público não há teatro, então é preciso sim levar em consideração que existe uma troca viva com quem está te assistindo. É essêncial se pensar no público, em como jogar também com ele enquanto nos assiste.

5 –  TÉCNICAS TEATRAIS 

Técnicas de corpo e voz que procuram ampliar as possibildades de expressão. Um ponto muito específico da Viola, é que ela diz que essas técnicas não são artifícios mecânicos, fórmulas prontas, mas sim caminhos pessoais para desenvolvimento de trabalho interno, o que reflete diretamente seu desempenho no palco. Portanto, as técnicas que funcionam para mim, podem não funcionar para você.

6 – TRANSPOSIÇÃO DA APRENDIZAGEM PARA A VIDA DIÁRIA

A experimentação do ator deve ser diária: observando, ouvindo, sentindo, adquirindo uma visão mais ampla do seu mundo pessoal. O ator deve perceber o tempo todo o mundo ao redor. Está vendo os vizinhos brigarem? Presta atenção em como está o corpo deles, qual o posicionamento dos pés, a movimentação das mãos… todas as situações cotidianas viram estudo e repertório para o ator.

7 – FISICALIZAÇÃO 

“ O ator cria a realidade teatral tornando-a física, aprendendo a comunicar-se diretamente através da linguagem física do palco”. Fisicalizar é diferente de ficar mexendo o corpo o tempo todo só por mexer, é na verdade o buscar de uma experiência pessoal concreta, não verbal.

Incrível né? Nós aqui do TeE temos um carinho imenso pelo trabalho da Viola, e recomendamos a todxs que nos leem a procurar mais e estudá-la não só na teoria como na prática também. Evoé!

Autor: John Marques

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