Um olhar sobre: Jonathan Larson

“No day but today” talvez seja uma das frases mais conhecidas para quem cresceu no teatro musical moderno. Trazendo a ideia de viver cada dia como se fosse o último, essa frase é o mote de “Rent”, última peça de Jonathan Larson, que não viu sua obra-prima ser um dos maiores sucessos da Broadway, mas soube viver uma vida onde cada dia era como se fosse o último.

Filho de pais judeus e nascido em Nova Iorque, Jon teve a música como amiga desde cedo, participando de coros e tocando instrumentos como trompete e tuba. Tinha como influência estrelas como Elton John e Billy Joel, mas seu grande ídolo era o compositor de musicais Stephen Sondhein.
Enquanto estudava, Larson compunha para diversas produções estudantis, mas não chegou a trabalhar na área. Após a graduação, Jon se mudou para um sótão sem calefação, que ele dividia com amigos e trabalhava como garçom numa lanchonete. Momentos como esses o inspiraram a construir seus futuros personagens de Rent, como Mark e Roger, que moravam num loft que não tinha calefação, e usavam um aquecedor ilegal.

Em Rent, Larson mostrava as dificuldades em sobreviver da arte em Nova York, e com ele não era muito diferente. Antes de seu maior sucesso, ele vivera de sucessos e insucessos, como Saved!, que rendeu um prêmio e Superbia, uma versão rock futurista de 1984 de George Orwell e que nunca chegou a ser totalmente produzido.
Um de seus grandes trabalhos, concluído em 1991, era uma espécie de monólogo biográfico chamado 30/90, que contava sua aflição de completar 30 anos e não ter emplacado nenhum sucesso ainda. Larson chegou a apresentar off-Broadway, com apenas um piano e uma banda de rock.

Rent

Mas a grande obra-prima de Larson ainda estava por vir. Ainda em 91, Larson se uniu ao dramaturgo Billy Anderson, que em 1989 teve a ideia de atualizar a ópera La Boheme, de Puccini e trazer para os dias atuais, decidiu pegar o conceito e, junto de suas experiências de vida, criou Rent.  O musical se passa nos anos 80 e conta a história de um grupo de amigos que vive as dificuldades e os prazeres de serem artistas lutando para ganhar a vida em Nova Iorque, enquanto lidam com temas tabus como homossexualidade, AIDS e drogas.
Mas, como o Larson escreveu em seu roteiro: No Day But Today.

Jon viveu seus dias como se fossem os últimos, mas, quando finalmente conseguiu criar seu maior espetáculo, Larson sofreu uma dissecção aórtica, que acreditam ter sido causada por síndrome de Marfan, e faleceu no dia 25 de janeiro de 1996. Jonathan nunca viu seu maior sucesso chegar na Broadway e Rent nunca chegou a ser concluída e vista publicamente pelo seu criador. 
Mesmo com a peça incompleta, os pais de Jonathan deram autorização para que a primeira apresentação acontecesse, porém, por respeito, os atores encenaram sentados, enfileirados em três mesas no meio do palco, até a música “La Vie Bohéme”, que não conseguiram conter a energia que Larson colocou na música e começaram a encenar como deveria ser e seguiram assim até o final.

Tick, tick, Boom!

30/90, monólogo biográfico de Larson, também estreou na Broadway 10 anos após sua primeira apresentação, agora com 3 atores e um novo nome “…tick, tick, BOOM!”. Jonathan soube representar bem a boemia nova iorquina e aplicar experiências próprias em suas obras, trazendo um estilo único para suas músicas e sempre será lembrado.
Seu legado está imortalizado na história da Broadway e, também, faz parte oficialmente da história americana, porém, o que Jon deixou marcado em nossas vidas, e talvez a maior verdade, seja uma simples frase.

No day but today! 

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