Uma Frase Para Minha Mãe

Uma Frase Para Minha Mãe, monólogo de Ana Kfouri pelo qual foi indicada aos prêmios Shell, Cesgranrio e Botequim Cultura de melhor atriz. A dramaturgia, assinada pelo escritor, poeta e crítico literário francês Christian Prigent, tem toques proustianos ao refletir sobre o despertar para a literatura e o nascimento de um escritor. O texto mobiliza sensações afetivas e corporais ligadas à figura da mãe e à língua materna, envolve afeto, filosofia, pensamento, visão de mundo, política e pesquisa de linguagem. A direção é da própria Ana Kfouri, com colaboração artística de Marcio Abreu. 

Ana conta que, quando conheceu a obra de Prigent, sentiu quase imediatamente uma espécie de chamamento para levar à cena Uma frase para minha mãe, texto potente e poético. Foi assim que, depois de enveredar pelos universos de Valère Novarina e de Samuel Beckett, a artista elegeu ‘Uma frase para minha mãe’ para dar continuidade à sua pesquisa cênica, que pensa a palavra e o corpo como campos de forças em tensão e em relação. 

 “Prigent é um autor que trabalha fora do campo da representação”, explica Ana Kfouri. “Não há uma condução psicológica do que está sendo dito, então o ator/performer precisa se desapegar de um desejo de entender as palavras, no sentido de colocá-las como algo a ser controlado, decifrado e transferido para o outro (público). E continua: “Através de uma fala potente, poética, respirada, lúdica, desconcertante e rítmica, o desafio do ator é pôr em jogo também a própria linguagem”.

O tradutor e adaptador Marcelo Jacques de Moraes fez um recorte do texto integral de Uma frase para minha mãe, um longo “lamento bufo”, como diz o próprio escritor, em que o eu-narrador relata sua descoberta do mundo e da linguagem a partir de sua relação com a mãe. Como define Moraes, “foi na tensão entre o literário e o político, entre a experimentação da linguagem e a experiência do cotidiano, da vida comum, que se inscreveu, desde as primeiras publicações até hoje, a extensa obra de Christian Prigent. Em busca de uma língua, contra a língua, mas com a língua, eis uma fórmula que talvez sintetize com precisão o que seja o trabalho poético de Christian Prigent”. 

O poeta costuma fazer leituras públicas de seus textos, cuja vocalização explicita o que ele chama de “voz do escrito”, uma espécie de “escultura sonora”, que se dirige ao ouvinte-espectador. “É um texto muito estilizado, com muitas aliterações e rimas internas. Que tem momentos mais fluidos e mais travados, que acelera e desacelera, que alterna momentos mais claros com outros enigmáticos. Tudo isso foi levado em conta na hora da tradução e da escolha do ritmo adequado”, acrescenta Marcelo Jacques de Moraes. 

Foi a partir de um convite do próprio tradutor que Ana Kfouri conheceu Christian Prigent, durante o Colóquio Internacional Poesia e Interfaces, concebido em homenagem ao escritor, e realizado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos, UFRJ, em setembro de 2015. Agora, o desejo é realizar um encontro entre os artistas envolvidos e o público como desafio de experimentarem juntos a palavra potente e desconcertante do autor.  

Christian Prigent foi o vencedor do Grande Prêmio de Poesia 2018 da Academia Francesa, concedido pelo conjunto de sua obra. 

SINOPSE
A peça encena o despertar para a língua e para a literatura, mobilizando sensações afetivas e corporais ligadas à figura da mãe. É também um convite ao público para transitar pela experiência da palavra, antes de tudo, e, portanto, um convite à escuta. A peça sugere um exercício de abandono do espectador, que ele se deixe estar ali não para ver alguém atuar, mas para se deixar tocar, afetar, rememorar, atravessar-se por palavras, ritmos e sentidos.

FICHA TÉCNICA
Texto: Christian Prigent
Tradução: Marcelo Jacques de Moraes
Direção e Atuação: Ana Kfouri
Colaboração Artística: Marcio Abreu
Cenografia: André Sanches
Iluminação: Paulo César Medeiros
Fotografia: Dalton Valério e Humberto Araújo
Assistência de Direção: Tainah Longras
Assistência de Iluminação e operação de luz: Gean Alves
Cenógrafa Assistente: Débora Cancio
Mídias Sociais: Natalia Balbino
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Produção Executiva: Juliana Trimer
Direção de Produção: Ana Paula Abreu e Renata Blasi
Produção:  Diálogo da Arte Produções Culturais
Idealização: Ana Kfouri
Realização: Cia Teatral do Movimento

SERVIÇO
De 6 a 29 de março de 2020. Sexta e sábado, 21h30. Domingo, 18h30 
Local: Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000. – Sala de Espetáculos I (90 lugares)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$15,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$9,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes.
Ingressos disponíveis pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir de 18/2, às 12h, e nas bilheterias das unidades de Sesc a partir de 19/02, às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa.
Recomendação etária: 12 anos
Duração: 60 minutos

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