O Canto de Ninguém

O universo da música clássica, um jovem gênio perturbado, uma homenagem aos que tem muito a dizer. Esses são os elementos de O Canto de Ninguém que está em cartaz no Teatro Itália. 

Com texto de Luccas Papp, que está em cena ao lado da atriz Fabi Bang, a peça tem direção de Kleber Montanheiro e direção musical de João Carlos Martins.

Na peça, Geoffrey Smithson é o “Mozart contemporâneo”. Aos 27 anos, o compositor e pianista já é considerado o maior representante da música erudita do seu tempo. Antissocial e enigmático, ele procura uma jovem cantora para estrelar sua ópera, que segundo ele será “a maior realização musical do século”. Samantha é uma cantora lírica de muito talento e quase nenhuma experiência. Surpreendentemente é aprovada nas audições e adentra a sala secreta de composições do rapaz para seu primeiro ensaio. O que acontece a partir desse momento vai muito além do que ela poderia imaginar. Desejos, segredos, reviravoltas e uma dose de loucura fazem desse, um encontro único e imprevisível.

A dupla encanta e prende sua atenção desde as primeiras cenas. O Smithson de Papp é uma persona inquieta, muitas vezes arrogante mas que mostra a sua genialidade a cada fala, enquanto a Samantha de Fabi é completamente o oposto disso, calma e assustada pelo excesso do maestro, ela passa o ar de inexperiência que a personagem carrega mas cresce mostrando todo o seu talento, o que cativa Geoffrey e a platéia. Como eles vão levando a história até o seu ápice é incrível, sempre tendo o contraponto entre o excesso de Papp e a calma de Fabi, que em certos momentos, consegue trazer o “Mozart contemporâneo” para e realidade e mostrar um lado mais humano do que o gênio.

A música clássica é outra coisa fenomenal. Ela permeia o espetáculo com oito temas inéditos compostos pelo maestro João Carlos Martins e José Antônio Almeida, uma delas – O Canto de Ninguém – tem letra de Papp, que a compôs durante a dramaturgia. Ela funciona como se fosse um personagem a mais nessa história, algo que completa e une os dois. Em uma cena, onde Smithson tenta extrair o melhor de Samantha, Fabi Bang interpreta A Rainha da Noite, composição da ópera A Flauta Mágica de Mozart, difícil não se emocionar e se sentir envolvido, como o personagem de Papp se sentiu em cena.

O texto que Luccas Papp escreveu em 2015, merece um parágrafo a parte também. Que história maravilhosa! Temos uma história que flui de forma estupenda, que em determinado ponto da peça te faz cair o queixo e sair de boca aberta no final. Podemos aplicar aqui o que o texto questiona, o fato de excelentes artistas quererem ser ouvidos e ninguém os ouve, apenas de olhos abertos aos grandes nomes. Papp é um desses artistas, no meio de grandes produções caras e enlatadas, que trouxe um texto autoral e genial, que ouso dizer, está em nível de grandes como Bernard Shaw e Tennessee Williams.

“A história questiona o fato de artistas excelentes em seu trabalho não terem a mesma voz que certos expoentes.  É algo que sempre quis dizer, de como lidamos com a arte, que é uma questão mais de status do que de apreciação. O consumo da arte hoje, principalmente com o advento das redes sociais, coloca as pessoas em um evento artístico mais para serem vistas do que para apreciar uma obra de arte”, conta o dramaturgo e ator. O longa Amadeus (1984), com direção de Milos Forman, livremente baseada na vida dos compositores Wolfgang Amadeus Mozart e Antonio Salieri, é uma de suas inspirações para criar o universo dramatúrgico do espetáculo.

Primeira vez juntos em cena, Papp conta que pensou em Fabi Bang para contracenar com ele assim que terminou de escrever o texto. Ela, que já mostrou seu talento em grandes produções como Miss Saigon, Cats, Evita, Cabaret, A Família Addams, Wicked e A Pequena Sereia, faz sua primeira incursão em um espetáculo fora do universo dos musicais. “A medida em que fui entrando na história, o texto foi fazendo cada vez mais sentido para mim e percebi o quanto a minha carreira se cruza com a da personagem. Eu já havia atuado em muitos musicais, mas foi aos 30 anos que tive uma grande oportunidade de visibilidade em Wicked. É como uma quebra-cabeça pessoal que vai se encaixando e é um texto muito apropriado para nossa história pessoal”, diz Fabi.

Sobre o desafio de fazer uma personagem fora do circuito musical, Fabi conta que há muito tempo estava buscando amplificar esse território. “É uma forma para ampliar ainda mais minha carreira artística, um privilégio cantar a composição do maestro João Carlos Martins e a ária A Rainha da Noite, uma composição, que muitas artistas se prepararam uma vida inteira”.

A encenação
Mesmo em uma sala de ensaio as cenas entre Geoffrey e Samantha ganham contornos operísticos por meio de luzes e outros recursos cênicos. O local tem uma arquitetura cheia de pedestais e abajures que dão um tom de fantasia e imponência para aquele ambiente em que vive o músico.

“Os elementos visuais procuraram revelar o que se passa na cabeça dos personagens, trazer em alguns momentos a atmosfera da ópera.  O projeto é uma oportunidade de levar a música clássica para o teatro e discutir as relações humanas, fator que traz identificação com o público. Questiona os limites do trabalho artístico e as hierarquias sociais”, fala o diretor.

Kleber Montanheiro e Luccas Papp já têm diversos trabalhos juntos no teatro. O Falcão VingadorOs Donos do MundoOvo de Ouro e agora O Canto e Ninguém. Papp sempre mostrando o seu trabalho na dramaturgia e na atuação das peças, enquanto Montanheiro desempenhando diversas funções dependendo do projeto, direção, iluminação, figurino, visagismo, cenografia.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Luccas Papp
Direção: Kleber Montanheiro
Elenco: Luccas Papp e Fabi Bang
Piano: Wesley Barretto
Trilha sonora original: João Carlos Martins e José Antônio Almeida
Direção musical: João Carlos Martins 
Letra da canção “O Canto de Ninguém”: Luccas Papp
Cenografia e visagismo: Kleber Montanheiro
Assistente de cenografia: Marcos Valadão
Direção de palco: Marcos Valadão
Desenho de luz: Gabriele Souza 
Figurinos e adereços: Kleber Montanheiro
Assistente de figurino: Thais Boneville
Preparação corporal: Daniela Flor 
Comunicação visual: Igor Farias
Produção: LPB Produções
Produção executiva: Lais Bittencourt
Assistência de Produção: Leila Bittencourt 
Gestão de Projeto: LPB produções.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes
Fotos: Fernando Maia

SERVIÇO:
O CANTO DE NINGUÉM – Estreia 6 de março no TEATRO ITÁLIA.
Temporada:
 De 6 de março a 5 de abril – Sexta 21h, Sábado 20h, domingos 19h.
Classificação: 10 anos. 
Gênero: Drama.
Duração: 90 minutos. 
Ingressos: R$ 60,00 (inteira). R$ 30,00 (meia).
Venda no site https://www.sazarte.com/
TEATRO ITÁLIA – AV. IPIRANGA, 344 – REPÚBLICA – SP.  Telefone 3120 6945.
Capacidade: 292 lugares.

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