A Vertical do Papel – Jurij Alschitz

Olá amantes das artes que nos seguem, hoje falaremos sobre um dos livros que mais têm influenciado o nosso fazer artístico enquanto atores, o livro “a vertical do papel”, do autor, professor e diretor Jurij Alschitz. Vem com a gente!

Para quem não conhece, Jurij Alschitz é um diretor de teatro russo, pedagogo das artes cênicas e pesquisador de práticas teatrais aplicadas para o século 21. Também publicou os livros: “40 questões para um papel”, “treinamento para sempre”, e “a vertical do papel”, o que vamos nos debruçar no estudo de hoje.

Para começo de conversa, Alschitz defende que a interpretação está intrinsicamente ligada a um processo de autodescobrimento, auto revelação e um desvendar-se do ator/atriz. Para ele, quanto mais o interprete é capaz de se conhecer e entender suas questões, dores, fraquezas e vulnerabilidades; mais ele é capaz de explorar e criar humanidade nos personagens, levando ao público uma visão além do aparente, ou seja, imbuída de sentimentos e experiências. Esse trabalho individual do ator requer uma entrega incondicional de si para um todo que está além de si mesmo, sendo esse todo: o espetáculo, os outros atores, a relação com o público e o porquê da existência da peça (seus signos, tema, debates…).

Para tal, faz-se necessário abordar uma perspectiva de trabalho de criação do ator onde ele se torna verdadeiramente o autor, o criador do seu personagem, assumindo assim, total responsabilidade pela vida do seu ofício. Não há mais uma dependência do diretor ou do dramaturgo, mas sim um protagonismo do interprete na criação do papel.

Mas o que significa então essa tal “vertical” do papel? Bom, primeiro definiremos o que é a horizontal do trabalho.

A horizontal do trabalho pode ser entendida em tudo que envolve a relação dentro do teatro: a relação com os outros atores, com a encenação, com o texto, ou seja, é onde você põe em prática todas as técnicas e vive o teatro. Já a vertical do papel é a procura do espírito interior do papel, a fonte de vida, ou seja, é a conquista de uma verdade mais elevada que está escondida no texto, na vida do personagem e que precisa ser revelada e trazida à tona pelo ator.

Jurij Alschitz segue uma linha de raciocínio que faz analogia do teatro com um templo, e que portanto o ator precisa ter uma conexão com o seu sagrado, com a sua energia sagrada; ele precisa ser ponte para uma verdade superior. Cuidado para não interpretar como um ponto de vista religioso dogmático, não é esse o caminho que ele defende, mas sim uma conexão espiritual, sagrada, que o ator precisa ter consigo mesmo com a história daquele personagem.

Para entender melhor, ele define que o personagem está construído sob o alicerce de dois pilares: a persona, sendo o indivíduo real, o corpo, a personalidade e o temperamento no geral; e a personnage, que a lenda, o mito, a filosofia imortal por detrás da persona, ou seja, o que não é visível.

O que torna o trabalho de ator muito mais importante, e sem querer criar juízos de valor, mas na nossa opinião, extremamente essencial e único, é essa visão de que o ator deve trabalhar-se para algo que é maior do que si mesmo, algo que transcende, transforma e emociona tanto quem faz, quanto quem assiste. Incrível né?

Para mais análises de textos, livros, peças, autores, entre outros, fica ligado aqui com a gente que sempre temos conteúdo de qualidade para vocês. Comenta aqui em baixo o que acha do Jurij Alschtiz, a gente adora trocar com vocês. Evoé!

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