TeE Entrevista: Emílio Orciollo Netto

Em cartaz até 09 de outubro com a peça “Muito Pelo Contrário” no Teatro UNIMED, Emílio Orciollo Netto conversou conosco sobre o processo de preparação desse espetáculo e suas perspectivas sobre o fazer teatral no segundo semestre de 2022.

TeE: Conta pra gente como foi o seu começo no teatro, o que o levou a querer ser ator?

Emílio: Eu sempre soube que eu queria ser ator, desde pequeno. Quando eu tinha 12 anos de idade, assisti a minissérie da TV Globo que se chamava “Anos Dourados” em 1986, fiquei encantado com os personagens e com a história, e decidi que era aquilo que eu queria fazer enquanto profissão pro resto da vida – viver personagens diferentes de mim, contar histórias, inspirar outras pessoas …

Na época, um amigo do meu pai chamado Sérgio Figueiredo fazia teatro aqui em São Paulo, e por conta disso meu pai me deixou entrar no teatro com 15 anos e fazer parte do grupo de teatro amador onde o Sérgio estudava. Depois de fazer três anos de teatro amador, prestei e entrei na EAD – USP com 18 anos e não parei mais desde então.

SINOPSE: A muito divertida comédia dramática Muito Pelo Contrário narra um momento na vida de Pedro, em crise com a esposa depois de dois anos envolvidos nos perrengues do primeiro filho. Quando Pedro acha que a vida sexual do casal foi pro lixo junto com as fraldas sujas e restos de banana amassada com aveia, vê-se diante da possibilidade de uma pulada de cerca. 

TeE: A peça “Muito Pelo Contrário” estreou dia 02 de setembro. Conta foi a volta aos palcos nesse momento “pós pandêmico”?

Emílio: Nós fizemos uma pré-estreia no dia 01 de setembro, e depois com a abertura para o público geral realmente foi uma retomada ao teatro para mim; online eu havia feito outro monólogo e esse texto de forma híbrida, mas sem público. Essa peça é delicada porque fala sobre as relações humanas debatendo machismo, sexualidade e paternidade, questões muito importantes abordadas sob o olhar do grande Antônio Prata, e estou muito feliz de estar em cartaz.

TeE: Apesar de não ser o seu primeiro monólogo, o que nesse trabalho se difere dos outros que você já fez?

Emílio: Acredito que esse seja um trabalho mais maduro em relação aos outros que eu já fiz. Tenho 33 anos de profissão, mas nesse momento eu arrisco mais, falo de coisas que são importantes para mim agora, então me sinto grato de poder contar essa história de uma forma tão honesta. O tempo de estrada me trouxe a possibilidade de usufruir do tempo de estar em cena, e quando você coloca o tempo a seu serviço, jogando com você e não contra você, é possível usufruir melhor os personagens, aproveitar mais estar em cena.

Esse projeto teve quase 5 anos para ser montado, então também pude aprofundar com calma as questões levantadas, os sentimentos e a sensibilidade de um espetáculo que eu classifico como uma comédia dramática reflexiva. Houve mudanças no texto durante esse período, eu mudei muito nesses últimos anos, então há uma diferença grande tanto na forma como eu apresento esse trabalho, como nos pontos em que ele me atravessa.

TeE: Fazer comédia hoje em 2022 requer uma atenção maior do ator sobre os temas a serem debatidos em cena, ou o caráter satírico no revelar das fragilidades e conflitos humanos justifica o humor sobre todos os temas?

Emílio: Hoje em dia, temos a consciência de que não dá mais para fazer piada sobre qualquer coisa. As crenças sociais vão se modificando com o passar do tempo, então é preciso que se tenha muito cuidado e responsabilidade com o que se faz e com o que se fala em cima de um palco, para não machucar ninguém. É preciso ter um olhar muito atento, e acredito que ter uma mulher na direção de um monólogo que fala sobre a perspectiva dos homens que vivem no Brasil contemporâneo traz a possibilidade de um diálogo muito maior sobre as questões apresentadas na peça.

O espetáculo é muito provocativo, mas que não tem como objetivo ofender ninguém. A ação dramática surpreende o espectador em determinado momento, que acredito despertar grandes reflexões em quem assiste, sem precisar usar de um humor preguiçoso sob o argumento que “no humor pode tudo”. Fazer humor não torna ninguém intocável, livre de consequências, e ter a consciência disso foi essencial para apresentar o espetáculo como ele é hoje.

SERVIÇO MUITO PELO CONTRÁRIO

Teatro Unimed (249 Lugares)
Ed. Santos Augusta, Al. Santos, 2159, Jardins, São Paulo
Curta temporada: de 2 de setembro a 9 de outubro de 2022
Horários: sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 18h
Valores: Inteira – R$ 90,00 (plateia), R$ 70,00 (balcão)
Duração: 70 minutos

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