O teatro japonês de bonecos

No Japão os bonecos são mencionados a primeira vez no século VII.
No período de Heian, os espetáculos viajam por todo o país com suas trupes ambulantes. O “teatro/palco” dos bonecos (que eram feitos de madeira e trapo), era nada mais que uma caixa retangular com uma abertura frontal, carregada pelo titereiro com a ajuda de uma corda pendurada no pescoço.
Durante a apresentação, o titereiro movimentava seus bonecos através dos buracos que eram abertos no fundo e nas laterais da caixa. essa forma de teatro de bonecos ainda é comum em algumas regiões do Japão.

Essa arte de bonecos de Osaka se deve a fusão de arte dos bonecos com as recitações dos cantores e contadores de histórias. Os monges cegos japoneses sentavam-se em frente aos templos e recitavam as histórias dos samurais com ajuda de um alaúde de 3 a 5 cordas chamado samisen.

Quase no final do século XVI surge uma nova forma de arte: a peça de títeres, que ficou conhecida como ningyo joruri (ningyo, quer dizer “boneco de mão”, joruri, foi uma conhecida balada que contava a história de Joruri, que procura eternamente seu amor e quando o encontra, perde-o novamente). Ningyo joruri, deve sua origem a dois manipuladores itinerantes, o mestre titereiro Hikita Awaji-no-jo e o cantor de baladas joruri e tocador de semisen Menukiya Chozaburo. Hikita manipulava os bonecos de acordo com a história que Menukiya contava, foram muito aplaudidos e o imperador os chamou à corte.

Em pouco tempo o ningyo joruri se torna popular entre os comerciantes de Osaka, o que fez com que os mercadores ricos financiaram um teatro de bonecos, e em consequência a temática passa do mundo dos samurais para o universo das classes dos mercadores.
Chikamatsu Monzaemon, grande dramaturgo japonês, escreveu seus mais refinados trabalhos para o teatro de bonecos, o que o elevou a um alto nível artístico.

Fonte: Embaixada do Japão no Brasil

Os bonecos originais eram movimentados com as mãos, mas foram aperfeiçoados e passaram a ser mais elaborados, podendo ter uma grande destreza para andar, dançar e até mesmo mexer os olhos e franzir a testa.
O palco ningyo joruri é uma ponte de madeira onde os bonecos atuam, enquanto o mestre titereiro que os manipula fica numa espécie de fosso. Ainda assim ele permanece a vista dos espectadores, mas não destrói em nada a ilusão, se os bonecos forem grandes, ele pode sentar ou ficar em pé no próprio palco. Eles usam roupas escuras e um capuz que ajuda a se misturar ao pano de fundo. O narrador senta-se do lado direito do palco atrás de uma estante de laca decorada e que sustenta seu texto, próximo a ele senta-se o tocador de samisen. Não existe um numero fixo de oradores e músicos, isso depende da complexidade da peça.

São as dificuldades de obter os requisitos técnicos – as vezes necessita-se de mais de um titereiro para manipular apenas um boneco – junto a competição com o teatro Kabuki causaram o fim gradual do teatro joruri no século XVIII. Entre os anos 1780 e 1870 não havia nenhum teatro joruri artisticamente competente no Japão. Em 1871 Uemura Bunrakuken fundou o teatro Bunraku de Osaka e ali reviveu a arte ningyo joruri. Porém em 1926 o edifício, que ficava fora da cidade, incendiou-se.
Hoje o abrigo dos famosos bonecos de Osaka , é um moderno e decorado edifício Asahi-za, que faz parte do conglomerado teatral pertencente à sociedade anônima Shochiku.

Bibliografia:
BERTHOLD, Margot – História Mundial do Teatro

Texto por: Gabrielle Risso (mas pode me chamar de Gabi)

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