TeE Entrevista: Thiago Albanese – Rede de Leituras

A Rede de Leituras nasceu em abril de 2020, coordenado por Marcello Airoldi e Thiago Albanese, em resposta à imobilidade que a pandemia impôs, especialmente, à classe artística. Via youtube, instagram e IGTV, foram quase 46 mil visualizações para 77 textos lidos e dirigidos por mais de 300 artistas até dezembro. Hoje, o TeE entrevista traz Thiago Albanese para um bate papo sobre o projeto, vem com a gente!

TeE: THIAGO, VOCÊ É UM DOS IDEALIZADORES DO PROJETO “REDE DE LEITURAS”, CONTA PRA GENTE MELHOR O QUE É O REDE E DE ONDE SURGIU A IDEIA.

T: A história da rede começa junto com a pandemia. Muitos setores foram impactados, mas alguns são muito mais que os outros, principalmente os artísticos. Eu e o Marcelo Airoldi inclusive estávamos em cartaz juntos com a peça “Caros Ouvintes” no Teatro VIVO, fizemos duas apresentações e entrou o primeiro lockdown. Foi quando nos vimos naquela situação de desespero, sem poder fazer nada do que estávamos fazendo até então, e então começamos a conversar sobre de que forma seria possível continuar fazendo o nosso ofício, fazendo arte. Por sermos muito amigos, começamos a rascunhar esse projeto juntos, que era uma ideia de conectar pessoas que amam o teatro e começar a desenvolver leituras juntos. A rede surgiu como uma resposta à imobilidade que a pandemia nos impôs.

O Marcelo na verdade sempre quis fazer algum projeto que juntasse mais a nossa classe, pois mesmo ela sendo unida até certo ponto, a sensação é de que está sempre cada um na sua correria fazendo um monte de coisa, com dificuldade de se encontrar e fazer algo juntos, e então quando surgiu a pandemia vislumbramos a possibilidade de fazer tudo isso. 

O rede de leituras é uma série de leituras dramáticas de textos de teatro de forma digital, que é a forma possível. Começamos conversando e dividindo a ideia com amigos, que conversaram com outros amigos, e assim foi crescendo, tomando uma proporção muito grande e rapidamente conseguimos aproximadamente 40 atores interessados em participar com a gente. 

Foi muito engraçado, porque quando começou a pandemia, na nossa cabeça e acho que na de todo mundo, acreditávamos que ela duraria no máximo até junho de 2020. Então inicialmente o projeto era pra durar um, no máximo dois meses. Só que está se estendendo até hoje, então o projeto foi aproveitando para ir crescendo e envolvendo cada vez mais pessoas. 

TeE: VOCÊ COMENTOU DOS ATORES, COMO QUE FOI A ESCOLHA DE QUAIS ARTISTAS PARTICIPARIAM? FORAM TODOS ATRAVÉS DE INDICAÇÃO DE AMIGOS, OU TEVE ALGUM TIPO DE PROCESSO SELETIVO?

T: Na primeira fase, que foi ano passado, todo mundo que se interessou conseguiu entrar. Conforme a pandemia ia se estendendo e o projeto também, nós fomos aumentando o número de dias de leituras, então no total nós conseguimos fazer 77 leituras com mais de 300 artistas em 2020, o que extrapolou qualquer previsão que nós tínhamos no começo, tanto de aderência quanto de público. 

Muita gente entrou por indicação de amigos, mas vários artistas admirados por nós e que não tinham tanto contato conosco também vieram até nós pelas redes sociais. Então tudo foi uma grata surpresa, infelizmente enquanto víamos o efeito global da pandemia.

Agora na segunda fase, que o rede se tornou um festival, inscrito e comtemplado pelo ProAC LAB da lei Aldir Blanc, e aí claro, criam-se limitações. Escrevemos um projeto para leituras ao vivo e algumas gravadas, e por termos um perfil democrático, nós abrimos para todo mundo que havíamos ganhando o edital. Pedimos às pessoas que enviassem seus textos e chamamos 2 autores para fazer essa seleção e curadoria da forma mais justa possível. 

TeE: SOBRE A ESCOLHA DOS TEXTOS: OS ESCOLHIDOS TÊM TEMA LIVRE OU NECESSARIAMENTE AGORA PARA ESSE MOMENTO PRECISAM TER PRÉ-REQUISITOS?

T: No primeiro momento não havia critérios, valia tudo. E uma característica muito legal da rede, é que se tornou um espaço onde as pessoas colocaram os seus textos “pra jogo”, onde os autores puderam ver como que seus escritos podem caber na boca dos atores e como o público pode reagir. 

Agora para o festival, a única exigência que eles têm que cumprir é que precisam ser textos inéditos de autores brasileiros vivos, porque nós queremos promover o exercício da nova dramaturgia contemporânea nacional. 

TeE: E QUAIS FORAM AS MAIORES DIFICULDADES DO ‘REDE’? SÃO QUESTÕES TÉCNICAS, COMO OS DESAFIOS DE VARIAÇÃO DE VELOCIDADE DE INTERNET, OU FORAM MAIS QUESTÕES RELACIONADAS À ORGANIZAÇÃO DAS LEITURAS?

T: A maior dificuldade mesmo é viver com a pandemia. Mas eu classificaria as dificuldades do rede em dois níveis: primeiro, como que os atores entendem essa nova linguagem e trabalham com as limitações impostas por ela; e o segundo, da parte de organização da rede, são as questões tecnológicas. Desde de conexões de internet variantes, até um ponto relacional com artistas que têm dificuldade e não sabem muito utilizar os recursos técnicos. Nós demos muito suporte, com muito prazer ensinamos muita gente a abrir lives no Instagram, porque foi uma coisa muito nova pra muitos.

TeE: E COMO FOI A RESPOSTA DO PÚBLICO ÀS LEITURAS? VOCÊ ACREDITA QUE É POSSÍVEL AINDA MANTER UMA TROCA VIVA COM QUEM ESTÁ ASSISTINDO MESMO COM O DISTÂNCIAMENTO SOCIAL ?

T: Acredito que da mesma forma que nós da classe artística fomos entendendo e aprendendo como trabalhar com as ferramentas online, o público também foi descobrindo como é ser público dessas produções. Eu faço um paralelo com as lives de música, que no começo todo mundo começou a achar incrível a possibilidade de ver vários shows de cantores admirados de casa, e depois de um mês ninguém aguentava mais. Então o público foi entendendo como é consumir esse conteúdo sem que fique exaustivo. 

A questão que eu enxergo é a seguinte: quem gosta do que nós fazemos, quem gosta de teatro, vai continuar gostando e consumindo. Igual no mundo pré-pandêmico, ia ao teatro quem gosta, quem estuda ou está minimamente envolvido com esse mundo, dificilmente é possível “pescar” um público de massa diferente desse perfil, então nas leituras foi mais ou menos da mesma forma. 

No Instagram, a gente sempre tinha um público cativo que estava em todas, com uma variável de quem era o ator ou atriz que estava lendo. Pessoas com maior engajamento social, mais seguidores, logicamente atraíam mais público para as leituras. No geral, conseguimos sempre manter uma média de 50 pessoas nos assistindo, mas já tivemos leituras com quase 300 pessoas simultâneas, um número que no teatro presencial dificilmente teria. 

A pauta do teatro online ser teatro ou não, para mim sempre ficou muito clara desde o começo da seguinte forma: teatro é o artista e o público dividindo o mesmo tempo e o mesmo espaço. Por conta da pandemia, conseguimos dividir o mesmo tempo, mas o espaço é virtual, então pra mim ainda é teatro, mas é o teatro que é possível no momento, não necessariamente o ideal. Há troca a partir do momento que eu enquanto artista me preparo para aquele momento, estudo o texto e tudo o mais, e o público se prepara para naquele momento assistir e se deixar tocar pela arte. 

Programação 1: Leituras ao vivo, transmitidas pelo youtube, facebook e instagram REDE DE LEITURAS

24/03 – 20h

“O Filho de Rapina”

Autor: Thiago Sogayar Bechara

25/03 – 20h

“Delfina de Vedia Mitre: uma mulher do século XIX entre guerras e poesia, entre batalhas e a história.”

Autor: Mauro Baptista Vedia

30/03 – 20h

“Tua Presença”

Autora: Célia Forte

31/03 – 20h

“A Mosca Verde”

Autor: Ed. Anderson

01/04

“Stent

Autor: José Rubens Siqueira

05/04 – 20h

Encontro de Dramaturgia

Programação 2: Leituras Gravadas

13/04 – 20h

“Passe em Casa”

Autor: João Luiz Vieira

14/04 – 20h

“O Garoto e o Mundo”

Autor: Pedro Leão

15/04 – 20h

“Vambora”

Autor: Alessandro Hernandez

16/04 – 20h

“Montanha Russa”

Autor: Walter Macedo Filho

20/04 – 20h

“Osvaldo Não Sai do Lugar”

Autor: Cleyton Cabral

21/04 – 20h

“As Pontes Que Atravessam a Febre”

Autor: Ygor Fiori

22/04 – 20h

“Margaridas”

Autora: Marina Bertazzoni

27/04 – 20h

“Edifício Mosteiro”

Autora: Eliane Costa

28/04 – 20h

“Aliens”

Autor: Dan Rosseto

29/04 – 20h

“A Atriz”

Autor: Bruno Cavalcanti

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