A Vida de Galileu – Bertolt Brecht

Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei, ou também conhecido como Galileu Galilei, nasceu em Pisa em 1564. 
Matemático, astrônomo, físico e engenheiro florentino, muitas vezes referenciado como o “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna, do método científico e também da ciência moderna”, entre outras coisas, usou o telescópio para observações científicas de objetos celestes e é sobre esse ponto que conta a obra de Bertolt Brecht.

A obra retrata Galileu, o matemático, astrônomo e físico italiano nascido em 1564, decidido a explorar aspectos desconhecidos do Universo, por isso construiu um telescópio em 1609 com mais capacidade do que os que existiam na época. Manchas solares e os satélites de Júpiter são algumas de suas descobertas. Galileu defendeu a teoria heliocêntrica de Copérnico, segundo a qual o Sol é o centro do Universo e não a Terra, o que o fez ser perseguido pela Igreja Católica. Para fugir da fogueira, teve que negar aquilo em que acreditava.

A Vida de Galileu teve sua primeira versão escrita durante o exílio do autor e também tricentenário de morte de Galileu Galilei, após Hitler ser nomeado Chanceler e o nazismo começar a “ganhar poder”, essa tinha uma abordagem mais heroica e diziam servir de recado otimista aos Alemães (a terra ainda assim se move) uma forma de lembrar que as novas ideias iam prevalecer apesar da ignorância.
Já a segunda versão foi escrita entre 1938/1939 enquanto Brecht fugia de país em país conforme eram invadidos pelos nazistas.

Primeira montagem de “A Vida de Galileu”, em Zurique (1943)

Ainda em meio a uma vida de idas e vindas, em 1943 a montagem de “A Vida de Galileu” estreia em Zurique.
No ano seguinte, 1944, a terceira versão começa a ser escrita e só acaba dois anos depois.
Feita após o massacre norte americano com bombas atômicas no Japão, Brecht questionava a responsabilidade do individuo na historia, os cientistas, bem intencionados com suas pesquisas e descobertas, acabaram ajudando no massacre. Para ele, qualquer horror perpetrado contra a humanidade é responsabilidade de cada indivíduo que dela faz parte. Sendo assim, não existiria herói que não esteja com as mãos sujas de sangue.
Foi essa terceira versão que subiu aos palcos dos EUA quando Brecht morava lá com sua família.

Depois da estreia nos EUA, Brecht é convocado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas.
Mentindo de forma brilhante, como só ele conseguiria, foi o único dos 11 convocados a escapar.

A quarta e última revisão de A Vida de Galileu, foi concluída em 1956 para ser encenada no país de origem de Bertolt Brecht por sua cia Berliner Ensemble. Essa versão (a mesma que temos disponível hoje no Brasil), traz um Galileu mais próximo do homem comum, com falhas e medos, e menos herói.
Ironicamente, igual a Galileu (que não viu sua grande obra ser lançada pelo mundo), Brecht não chegou a ver a última versão de sua peça ser encenada em seu país.

Texto por: Gabrielle Risso

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