PSICODRAMA

Quando o teatro se torna instrumento terapêutico
Por: Nathalia Affel

Em meio a tantas correspondências importantes entre as Artes Cênicas e a Psicologia, foi desenvolvido um estudo que coloca o teatro no lugar de instrumento para técnicas terapêuticas, e foi chamado de Psicodrama.

O médico e filósofo romeno, Jacob Levy Moreno, criou a metodologia com o objetivo de facilitar o contato com as emoções por meio de recursos de dramatização. Moreno, que era apaixonado pelo teatro, propôs um espaço de espontaneidade e criatividade a fim de desempenhar papéis que explorariam a verdade e seus vínculos, permitindo que o indivíduo se relacionasse com as diferentes perspectivas e sentimentos a respeito de uma determinada situação. O teórico também acreditava que o indivíduo é um ser em “constante relação”, e que para entender o conjunto de processos que formam o ser, é necessária uma ampliação das perspectivas.

As técnicas aplicadas durante o processo são coordenadas por um profissional habilitado, o psicodramatista, que por meio da metodologia auxilia no contato com as questões latentes, permitindo uma experiência existencial a quem pratica e ao mesmo tempo cria repertórios a serem levados e utilizados na vida.

Os elementos necessários para uma sessão de Psicodrama:

Com o objetivo de revelar comportamentos e sentimentos sabotadores ainda não identificados, o Psicodrama de Moreno coloca o protagonista para visualizar melhor o conflito e a si mesmo por meio da dramatização da cena, da inversão de papéis e da técnica do espelho.

O pai do Sociodrama, abordagem que contempla o Psicodrama, viveu parte de sua vida na Áustria e depois mudou-se para os Estados Unidos, lugar em que desenvolveu suas teorias e faleceu em 1974. A ideia principal era a de estimular a criatividade dos atores, de maneira que as representações teatralizadas fossem criadas no momento pelos atores, a partir do tema proposto. J. L. Moreno partia do princípio que o ser humano viveria em estado de busca perpétua de sua originalidade e adequação pessoal e existencial à realidade. No entanto, a fim de evitar as dores do autoconhecimento, o ser humano constitui-se de recursos repressores que o isolam de si mesmo. Nesse sentido, Moreno propõe a recuperação da espontaneidade perdida no ambiente afetivo e no sistema social.

“A espontaneidade é algo que pertence ao potencial criativo, que se atualiza e se manifesta. Ser espontâneo é tomar decisões adequadas, perante o novo, agir de forma transformadora e coerente, considerando sempre os laços afetivos construídos na rede. Não é responder automaticamente, é responder sendo um agente ativo do próprio destino” (Moreno, 1975 apud Ramalho, 2011).

A abordagem psicodramática é considerada uma abordagem existencial e parte do princípio de que o homem é o construtor de si próprio e de seu mundo. Portanto, busca-se o desenvolvimento da intuição, da liberdade e da sensibilidade, entendendo o indivíduo como uma pessoa a procura do caminho de crescimento depois de se submeter às conservas culturais, cristalizando papéis e deixando de ser espontâneo criativo; perdendo o sentido de sua vida (Ramalho, 2011). No Brasil, o Psicodrama chegou em 1949, através do sociólogo baiano, Guerreiro Ramos, na época, coordenador do Instituto Nacional do Negro, seguido por Pierre Weil, que passou a formar psicodramatistas em Recife e Belo Horizonte. Em 1936, Jacob Levy Moreno inaugurou o Sanatório de Beacon Hill, ali percebeu que seus estudos com atores eram ainda mais bem aproveitados com os pacientes do hospital, popularizando, assim, as práticas psicodramáticas até o ano de sua morte, 1974. Em sua sepultura foi gravada, a pedido do médico, a frase:

“Aqui jaz aquele que abriu as portas da Psiquiatria à alegria”

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