ARTETERAPIA

“Só os loucos e os artistas podem me compreender.”
Nise da Silveira

”A arteterapia se preocupa com a pessoa. Não é um projeto sobre ela, e sim um projeto com ela, a partir de seu mal-estar e de seu desejo de mudança. A partir das diferença pessoais e culturais, trata de atualizar as condições da produção criativa, de perceber as especificidades dos meios utilizados e compreender seus impactos (Bassols, 2006)”.

Como um meio de utilizar as artes plásticas para uma melhor qualidade psíquica, a arteterapia é uma prática que auxilia na recuperação e melhoria da saúde mental, o que colabora para um maior bem-estar emocional e social do indivíduo em processo. A expressão por meio da arte é comunicação, reflexão, transformação e até mesmo, intuição. A criação artística, tomada como ação, intervém no espaço terapêutico e invade a realidade, abrindo espaço para insights, novas perspectivas e compreensões.

A mais renomada fundadora da Arteterapia foi a americana Margareth Naumburg, responsável por sistematizar todo o conteúdo já estudado, aliado às correntes freudiana e junguiana. Fazendo com que a educadora atribuísse um conteúdo com base psicanalítica à arteterapia. Para Naumburg, a expressão artística fornece diversas informações, e também é uma ponte entre os conteúdos internos e externos.

NO BRASIL

A psicoterapeuta Nise da Silveira, que foi aluna de Jung, trouxe seus ensinamentos para o Hospital Psiquiátrico do Rio de Janeiro. Em 1946 ela assumiu a Seção de Terapia Ocupacional. Assim, inseriu atividades como pintura e modelagem. Para Nise, “a arte não deveria ser apenas uma distração, mas uma contribuição efetiva para a cura dos pacientes” (sic). A arteterapia recebeu influência de áreas do conhecimento como a Psicanálise Freudiana, em que Sigmund Freud observou que o artista pode simbolizar concretamente o inconsciente em sua produção, além de seus estudos sobre as obras de autores consagrados como Leonardo da Vinci e Michelangelo. Seguindo também a linha da psicologia analítica junguiana somada a psiquiatria, Nise continuou seus estudos e foi recompensada com o interesse de seus alunos. Os trabalhos foram tantos que chegaram a cerca de 300.000 documentos plásticos, entre telas, gravuras e esculturas. Hoje, este acervo faz parte do Museu de Imagens do Inconsciente, criado na mesma instituição, em 1952.

Qual a importância da arteterapia na saúde mental?

– Autoexpressão e comunicação

– Melhor compreensão de si mesmo

– Melhoras cognitivas

Trabalhar com as emoções

Além de tudo, o trabalho com as artes ajuda no desenvolvimento pessoal. O inconsciente funciona mais com símbolos do que com palavras pensadas, por isso o uso das artes facilita o processo de reflexão e seu desenvolvimento.

“O homem necessita de uma vida simbólica … Mas não temos vida simbólica … Acaso vocês dispõem de um canto em algum lugar de suas casas onde realizam ritos, como acontece na Índia? Mesmo as casas mais simples daquele país têm pelo menos um canto fechado por uma cortina no qual os membros da família podem viver a vida simbólica, podem fazer seus novos votos ou meditar. Nós não temos isso … Não temos tempo, nem lugar … Só a vida simbólica pode exprimir a necessidade do espírito – a necessidade diária do espírito, não se esqueçam! E como não dispõem disso, as pessoas jamais podem libertar-se desse moinho – dessa vida angustiante, esmagadora e banal em que as pessoas são “nada senão” C. G. Jung

AUTORA: NATHALIA AFFEL

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