TeE Entrevista: Luccas Papp

Com estreia da peça MEN.U dia 22 de janeiro, o ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro Luccas Papp conversou com a gente sobre seu novo espetáculo, no qual divide cena com a atriz Giulia Nadruz dando voz a um texto pautado no universo profissional gastronômico. A entrevista você já pode conferir a seguir, e ao final você encontra todas as informações da peça, vem com a gente!

TeE: LUCCAS, VOCÊ DENTRO DO TEATRO TRABALHA COM TODOS OS PROCESSOS DE CRIAÇÃO: ATUAÇÃO, DIREÇÃO E DRAMATURGIA, ALÉM DE LECIONAR PARA JOVENS ATORES. CONTA UM POUCO SOBRE COMO FOI O SEU ÍNICIO NAS ARTES CÊNICAS E O QUE TE LEVOU AO TEATRO.

LUCCAS: É engraçado falar sobre o começo da minha carreira, pois eu não lembro muito. Eu comecei com 5 anos de idade, sem pretensão de me tornar ator, já que naquela época meu grande sonho era ser jogador de futebol. Eu sabia tudo sobre as escalações dos times, copa do mundo e etc., e então fui chamado para fazer um programa de televisão chamado “pequenos brilhantes”, por conta desse conhecimento.

Começaram a me ver na televisão e por conta disso recebi convites para fazer trabalhos tanto no teatro quanto na TV, desde então eu não parei mais. Aos 13 anos, entrei em um curso profissionalizante, onde me formei com 15 pra 16, já nessa época comecei a dar aulas de teatro pra alguns colegas que tinham interesse. Eu fui aprendendo a fazer as coisas na prática, por exemplo, como não tinha quem escrevesse os textos da companhia da escola, eu comecei a escrever; depois aprendi a fazer luz pela necessidade, comecei a dirigir, produzir e uma coisa foi levando à outra. Essa forma multidisciplinar que eu tenho hoje de trabalhar vem desse lugar da necessidade de fazer as coisas na prática desde cedo.

Foi preciso que eu passasse por todos as etapas da produção teatral para que eu pudesse ser mais completo naquilo que hoje eu faço como especialidade, que é atuar, escrever e dirigir. Eu sou apaixonado por todo o processo de produção do teatro, que se torna muito interessante e rico quando visto por inteiro.

Tenho feito teatro desde o ano 2000, que foi quando estreei minha primeira peça, então já estou há 22 anos trabalhando com teatro. Fico muito feliz de poder entender e fazer parte desse processo como um todo.

TeE: ESSE ANO VOCÊ JÁ ESTÁ COM VÁRIOS PROJETOS, E PRA ESSE PRIMEIRO SEMESTRE TEM A PEÇA “MEN.U” QUE ESTREIA DIA 22 DE JANEIRO NO TEATRO DAS ARTES. ESSE TEXTO FALA SOBRE UMA COMPETIÇÃO EM UM TESTE FINAL DE UMA VAGA DE RESTAURANTE, CERTO? CONTA PRA GENTE MELHOR SOBRE ESSE ESPETÁCULO; QUAL FOI SUA INSPIRAÇÃO PRA ESCREVER ESSE TEXTO?

Luccas: Esse texto eu escrevi em 2018, originalmente pensado para ser uma peça com dois atores homens. No final do ano passado, eu assisti a Giulia Nadruz no espetáculo “Barnum – O Rei do Show”, e eu já tinha um contato com ela através das redes sociais, porque nós dois saímos no under 30 da Forbes no mesmo ano. Mas depois de assisti-la em cena, trocamos mensagens, mandei o texto pra ela e falei que se ela topasse, transformaríamos a peça pra um casal fazer. Ela leu no mesmo dia, topou fazer e então fomos convidando as pessoas que compõe hoje a ficha técnica do MEN.U, profissionais excelentes e estreamos agora sábado dia 22.

Fonte: Divulgação imprensa
Créditos: Thais Boneville

A história não mudou muito por ser um casal de atores, apenas o final que precisou passar por algumas adaptações, e percebemos que ficou muito mais interessante do que com dois homens.

A inspiração desse texto veio do mundo da gastronomia, que está em alta na cultura pop, com produções como Masterchef, Chef’s Table, Mestre do Sabor, etc. Percebi que não conhecia nenhum espetáculo de teatro que abordasse esse universo da gastronomia profissional, e MEN.U vem pra falar sobre dois personagens, finalistas em uma entrevista de emprego para ser subchefe de um dos maiores restaurantes da capital, trabalhando com o maior chef da cidade.

A peça é dividida em 3 atos: entrada, prato principal e sobremesa – onde em cada ato eles fazem os pratos e ganha quem entregar o melhor menu – levando o emprego de subchefe, reconhecimento profissional e prosperidade financeira. O que transforma esse texto é justamente o que esses personagens são capazes de fazer para conseguir essa vaga.

Eu quis tratar sobre até que ponto nós somos capazes de nos mutilar física e emocionalmente para alcançar nosso “lugar ao sol”, conquistar aquilo que sempre desejamos. MEN.U usa da gastronomia e desse universo físico para falar sobre esse processo de mutilação que nós passamos nas nossas trajetórias profissionais e pessoais, sobre o quanto o mercado profissional contemporâneo é canibal, no sentido de analisar o quanto ele nos consome de diversas maneiras.

TeE: ESSE TEXTO É DE 2018, PERÍODO PRÉ-PANDÊMICO. VOCÊ ACHA QUE ESSA QUESTÃO DO MERCADO DE TRABALHO SER DE CERTA FORMA CANIBAL PIOROU COM A PANDEMIA? COMO QUE ESSE ESPETÁUCLO CONVERSA COM O MOMENTO ATUAL QUE ESTAMOS VIVENDO?

LUCCAS: Acredito que essa relação canibal só piorou com a pandemia. Todos os meus textos acabam sendo mais atuais hoje do que na época quando os escrevi, MEN.U principalmente. Eu sempre tento buscar muito nos meus textos a característica de “qual a universalidade daquilo que estou fazendo?”, pois quero que meus textos façam sentido independente do ano que estejam sendo apresentados.

Se formos analisar ao longo dos séculos, o ser humano está evoluindo verticalmente, no sentido de construir tecnologias, riquezas e poderes; mas horizontalmente, ele está seguindo os mesmos padrões comportamentais e cometendo os mesmos erros.

Se compararmos o partido nazista com o governo Bolsonaro, ou com governos de extrema direita, vemos muitos paralelos nas ações, causas e consequências. É um ciclo que se repete: a disputa profissional que existia na quebra da bolsa no pós primeira guerra é a mesma que temos 100 anos depois, então o ser humano está cometendo as mesmas falhas e os mesmos erros. E eu gosto de escrever sobre a falha do homem.

Então, acredito que sim, está mais atual por causa da pandemia, mas está ainda mais atual porque o padrão comportamental do ser humano é atual se olharmos agora ou há 100 anos atrás. 

Ficha Técnica:

Texto: Luccas Papp. Direção: Ivan Parente. Elenco: Giulia Nadruz e Luccas Papp. Assistência de direção: Leticia Navarro. Cenografia: Kleber Montanheiro. Desenho de luz: João Delle Piagge. Trilha sonora original: Elton Towersey. Figurino e Fotos: Thais Boneville Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção. Executiva: Giulia Martins. Assist. Produção: Nicole Casavecchio e Guilherme Bernardino Técnica: Gabriel Tite e Gustavo Gonçalo Operação de Luz: Jarbas Sardinha Realização: LPB Produções.

Serviço:

MEN.U
Temporada: De 22 de janeiro a 26 de fevereiro. Sempre aos sábados, à 17h. 
Teatro das Artes, localizado no 3º piso do Shopping Eldorado, loja 409.
Av. Rebouças, 3970, Pinheiros, São Paulo – SP, 05402-600
Preço: R$60,00 inteira – R$30,00 meia
Gênero: Drama. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: 14 anos.
Vendas: www.teatrodasartessp.com.br ou Sympla.com.br

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