Fóssil

Criado a partir da pesquisa de três anos da atriz Natalia Gonsales e da dramaturga Marina Corazza a respeito do povo curdo e da revolução de Rojava, na Síria, a peça tem direção de Sandra Coverloni. Em cena, Natália divide o palco com Nelson Baskerville.

A peça se passa dentro da sala de Luiz Henrique (Nelson Baskeville),
diretor da maior empresa de gás liquefeito de petróleo. Anna (Natalia
Gonsales), uma jovem cineasta, vai ao seu encontro em busca de recursos
para a realização de um filme sobre a Revolução de Rojava, no norte da
Síria. A cineasta narra o roteiro de seu filme e a importância político-social deste, cruzando histórias de mulheres curdas torturadas da Síria com memórias de mulheres na ditadura brasileira de 64.

A tensão entre os dois personagens vai crescendo durante o espetáculo.
Luiz, que viu Anna crescer, tem um olhar paternal para com ela e conforme
a cineasta conta sobre o seu projeto e a importância da luta curda, relações
dúbias de opressão e falta de escuta são estabelecidas. Em um plano que
atravessa o presente, a jovem cineasta fala de sua mãe, presa política na
ditadura de 64. O papel contraditório de financiamento das artes por
grandes empresas também perpassa toda a peça. Abre-se com isso mais
uma camada crítica na peça a respeito da política cultural e as contradições
que incluem valores éticos e morais para a realização de um produto
altamente desvalorizado no mercado atual.

A encenação de Sandra Corveloni propõe um encontro entre teatro e
audiovisual tendo projeções sensitivas e trilha sonora original, criando um
clima de sala de cinema, para falar da Revolução de Rojava ou Confederalismo Democrático do Norte da Síria. “Fóssil possui uma
dramaturgia bastante profunda, com camadas de informações e
sentimentos que aparecem à medida em que o texto avança. A montagem
que é ao mesmo tempo teatral e cinematográfica, nos leva a refletir sobre
questões como os direitos das mulheres, a democracia, as fronteiras e a
arte”, comenta a diretora.

Natalia Gonsales finaliza: “hoje é comum ouvir a população curda de Rojava e de outras regiões do Curdistão defender a vida sem um Estado. Os curdos lutam pela autonomia de seu povo e de outras etnias sem representatividade. Buscam a conscientização democrática, o direito à educação na língua nativa, o acesso ao sistema público de saúde, a proteção do meio ambiente e a liberdade de expressão. Uma política que se tornou referência libertária no mundo.”

SERVIÇO:
Temporada: Sexta e sábado, às 20h30, e domingo, às 19h, até 5 de abril.
Preço: R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia).
Duração: 70 minutos.
Classificação: 14 anos.
TEATRO ALIANÇA FRANCESA – Rua General Jardim 182 – Vila Buarque. 

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