Um Olhar Sobre Martins Pena

Luís Carlos Martins Pena nasceu no dia 05 de novembro de 1815 no Rio de Janeiro (RJ). Ficou órfão muito cedo, com apenas um ano, de pai e aos dez anos, de mãe. Seu padrasto, deixou-o sob tutela, após a morte da esposa em 1825 durante o parto da filha.

Sob orientação dos tutores, ingressou na carreira comercial e concluiu em 1835, aos vinte anos, o curso de Comércio. Estudou ainda: literatura, teatro, desenho, música, arquitetura, história, além do estudo de outras línguas.

Martins começou a escrever numa época em que o Romantismo estava em ascensão no Brasil. É importante ressaltar quando estudamos o Romantismo, ou qualquer outro movimento de vanguarda artístico, é que no Brasil e no teatro eles não acontecem ao mesmo tempo que está acontecendo na Europa, ou com as mesmas características de lá.

Pensando nesse ponto, o que acontecia no começo do século XIX no Brasil era um movimento sistemático de desvalorizar tudo que era produção brasileira, só por ser brasileira. Com a vinda da família real ao Brasil, D. João investiu muito em um teatro que chamou de “teatro decente” no RJ, que seguia os moldes europeus tanto de arquitetura quanto de encenação.

Então nessa época, Martins Pena e outros começam a se questionar sobre a questão do teatro brasileiro: o que é teatro brasileiro? Seria companhias estrangeiras fazendo turnês no Brasil? Ou seria atores e diretores nacionais montando textos estrangeiros? Ou somente atores nacionais encenando textos nacionais? Pra você, o que é teatro brasileiro?

E é nessa indagação que ele começa a escrever suas peças no gênero classificado como “comédia de costumes”. A comédia de costumes é a criação de tipos e situações de época, utilizando personagens típicos brasileiros para dar humor às situações (ex. Juíz de Roça, lavradores, as namoradeiras, as sonsas).

Por ser historiador, as peças de Martins são consideradas “uma documentação viva dos primeiros 50 anos do séc XIX no Brasil” segundo Silvio Romero, em especial as crises decorrentes do segundo reinado na corte portuguesa aqui no Brasil. E o que difere a comédia de Martins da comédia dos modernistas anos depois, é que em seus textos ele não tem uma crítica-reflexiva aos pensamentos e comportamentos sociais, ou seja, ele não era moralista ou filosófico em seus textos, ele simplesmente é considerado um intérprete da época, um observador. Você não encontra personagens que, por exemplo, se revoltam com os abusos e se propõem a entrar em alguma greve ou revolta armada para encenar uma luta de classes. Ele falava muito também, por exemplo, sobre a escravidão, mostrando a realidade da situação, mas sem criticar ativamente ou propor alguma ação ou reflexão sobre o tema

Sua primeira grande peça, que lhe rendeu o título de mestre da comédia de costumes por Silvio Romero, foi a peça Juiz de Paz na Roça,  que fala sobre um juiz (que de paz não tem muita coisa) e é um pequeno corrupto que usa a autoridade e inteligência para lidar (e suportar) com a inocência dos roceiros, que lhe trazem os mais cômicos casos para julgamento. A peça retrata como as instituições de poder da época sempre achavam uma forma de se aproveitar e abusar das populações do interior.

Entre suas peças mais famosas, podemos destacar: “A Família e a Festa na Roça” (1840), “O Caixeiro da Taverna” (1845), “O Judas em Sábado de Aleluia” (1846), “Os Irmãos das Almas” (1846), “Quem Casa Quer Casa” (1847), “D. Leonor Teles”, “Vítiza ou O Nero da Espanha”, “O Noviço” (1853) e “Os Dois ou o Inglês Maquinista” (1871).

Martins Pena faleceu em 7 de dezembro de 1848, decorrente de complicações sofridas pela tuberculose, mas deixou um legado histórico bastante específico e detalhado da sociedade brasileira no século XIX. Gostou do texto? Não esquece de comentar aqui em baixo suas impressões ou reflexões sobre a leitura de Martins Pena! Evoé.

Texto por: Roberto Dalessio
Revisão: John Marques

Bibliografia
Academia Brasileira de Letras
EBiografia
Uol
Brasil Escola

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