Bertolt Brecht e o Teatro Épico

Bertolt Brecht foi um ativista, dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX, que viveu durante a época da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, usando seu trabalho e sua arte para combater o fascismo europeu. Vem com a gente que hoje vamos falar de como ele usou teatro como meio político, e o que se estabeleceu como Épico a partir dele.

Fonte: comunidadeculturaearte.com

Alguns historiadores dividem o trabalho de Brecht em 3 frases. Na primeira fase de Brecht, durante a época da República de Weimar (pós 1ª GM, na qual trabalhou como enfermeiro), ele desenvolveu um teatro de entretenimento político. Era socialista (não comunista!), e portanto escreveu peças que além de entreter, tinham um viés político ligado à luta de classes. Escreveu nessa época peças como ‘O casamento do pequeno burguês’ (1919).

Sua segunda fase ficou conhecida como Teatro Didático, e como o próprio nome diz, explicava e explicitava seu ponto de vista em suas encenações. Durante a época da ascensão do partido nazista e da quebra da bolsa de NY em 1929, Brecht utilizava uma estética expressionista (que falaremos sobre mais adiante), e começou a defender que política devia ser feita e entendida por toda a população. E então, para atingir esse objetivo, escreveu peças dialéticas que mostravam dois pontos de vista divergentes sobre um assunto, as causas e consequências de ambos os lados, e instigando a platéia a refletir e decidir qual lado apoiaria. Também escreveu poesias para tentar alertar e acordar a população alemã do perigo que representava o partido nazista, como por exemplo:

Após o estabelecimento do primeiro Reich, Brecht fugiu da Alemanha e foi para Nova Iorque nos EUA. Nessa época, a Broadway estava estourando, influenciando-o em sua terceira fase: os musicais. Suas peças musicais são a junção das culturas européia e norte-americana, onde trabalhava o didatismo político junto com o entretenimento musical. Nessa época escreveu por exemplo ‘Mãe Coragem e seus filhos’, que mostra uma mulher que lucra com a guerra, discutindo as causas e consequências disso, e trazendo músicas que refletem sobre a narrativa.

O teatro épico brechtiano

Brecht trabalhava com o teatro de forma épica. O épico (como adjetivo para o texto dramático (teatral), cuidado para não confundir com as narrativas épicas) é classificado por: eu-lírico sendo narrador e personagem; ação e tempo da peça não necessariamente cronológicos; e o mais importante, o público não está passivo, mas sim age analisando e refletindo as situações propostas em cena.

Para isso, Brecht faz com que o espectador e o ator não sejam “tomados” pelo mise en scène (jogo de cena) que cria uma ilusão de algo real (como no realismo de tio Stanis), mas sim que ambos estejam o tempo todo conscientes de estarem presenciando uma encenação, a fim de que a partir do distanciamento das personagens, haja a reflexão e análise de suas ações.

Ele também propõe elementos para causar esse afastamento/estranhamento das personagens como: quebra da quarta parede, onde há interação direta com o público; personagens não representam indivíduos, mas sim a classe social em que vivem; os Gestus, movimentos repetidos dos atores que classificam a classe de seus personagens; Songs (em inglês mesmo) como instrumentos para afastamento e análise; usar a história como metáfora; e usar o grotesco no fazer cômico.

Trabalhar e estudar Brecht é essencial para desenvolver não só um senso crítico em quem faz e assiste, mas também entender o teatro como mais que apenas um local de entretenimento.

E você, já fez alguma peça do Brecht? Pretende fazer? Conta pra gente sua experiência!

Referências:

  • Estética Teatral –  Textos de Platão a Brecht – 2004
  • Anatol Rosenfeld: O Teatro Épico – 1975

AUTOR: JOHN MARQUES

3 comentários

    1. TEATRO em escala

      Olá Gabriel, tudo bem?

      Quando nós escrevemos que Brecht foi socialista, e não comunista, nós partimos do seguinte raciocínio de estudo histórico:
      – O comunismo definido como uma prática governamental que pode seguir ou não os ideais da filosofia socialista.
      – O socialismo definido como filosofia sociopolítica.
      Brecht nunca defendeu uma prática governamental comunista (ex, uma sociedade apátrida, sem Estado), mas sim ideias socialistas pautados sob a luta de classes, resistência contra governos ultranacionalistas (em especial, o Nazismo) e por uma sociedade mais igualitária.

      Inclusive não podemos ignorar que em parte de sua vida, ele fez teatro musical na Broadway, em Nova Iorque (um dos grandes centros de governo capitalista), onde ele em suas peças juntava o entretenimento (e portanto, o lucro) com o didatismo (explicitação do seu ponto de vista sociopolítico).

      É importante diferenciar pois a generalização pode levar a uma interpretação limitada ao trabalho do Brecht, né ? (:

      Grande abraço ☀️

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